Nossa primeira noite em um clube de swing: quando nada acontece… e, ainda assim, tudo muda
Meu nome é Vicky e estou no universo swing há três anos. Ainda assim, quando me lembro da nossa primeira noite em um clube de swing com Adrien, durante umas férias em Valência, o que me vem à cabeça não é uma aventura espetacular. É sobretudo aquela adrenalina no estômago, רגע antes de empurrar a porta. Até aquela noite, o swing ainda era só uma ideia. Um fantasma sobre o qual podíamos falar com calma, longe da realidade. Mas, uma vez diante do clube, tudo se tornava concreto. Lembro de estar muito excitada, mas também completamente impressionada. Eu me perguntava se nos sentiríamos no nosso lugar, se conheceríamos os códigos e se os outros entenderiam imediatamente que éramos iniciantes. Antes de entrar, tínhamos conversado sobre o que aceitaríamos ou não. No fim, decidimos não nos proibir nada de antemão, mas começar simplesmente observando. Não queríamos chegar com um programa ou uma lista de coisas para fazer. Queríamos ouvir nossas sensações e nos dar a chance de avançar, desacelerar ou não fazer absolutamente nada. Adrien me disse naquela noite uma frase que resumiu perfeitamente nosso estado de espírito: íamos deixar todas as portas abertas, sem nos obrigar a atravessar uma única. Na entrada, explicamos à hostess que era nossa primeira vez. Pensamos que talvez ela apenas nos indicasse o vestiário e nos deixasse nos virar. Pelo contrário, ela tirou um tempo para nos mostrar o clube inteiro. Mostrou-nos o bar, a pista de dança, os diferentes espaços e os cantos mais íntimos. Depois nos apresentou a duas ou três pessoas com quem pudemos conversar mais tarde naquela noite. Essa recepção simples fez cair grande parte da nossa apreensão. Não precisávamos fingir ser um casal swing experiente. Podíamos fazer perguntas, observar e descobrir o lugar no nosso ritmo. As primeiras conversas também nos surpreenderam pela normalidade. Falávamos sobre Valência, nossas férias, o clima do clube. Ninguém nos interrogava de forma brusca sobre o que havíamos vindo fazer. Ninguém nos pedia para provar nada. Depois começamos a explorar sozinhos. Fomos ver os cantinhos de carinho, onde alguns casais viviam sua intimidade sob o possível olhar dos outros. No começo, estávamos um pouco desajeitados. Tentávamos olhar sem parecer que estávamos encarando, entender o que sentíamos sem necessariamente colocar isso em palavras. Muito rapidamente, porém, minha atenção voltou para Adrien. Lembro de ter pensado que estava observando os casais ao nosso redor, mas que sentia sobretudo a presença dele perto de mim. A mão dele, a forma como me beijava, o olhar… tudo parecia mais intenso. Nós nos beijávamos, nos acariciávamos, e uma tensão ia crescendo aos poucos entre nós. Os outros casais não nos davam necessariamente vontade de nos juntar a eles. Eles apenas mudavam a maneira como nos olhávamos e nos tocávamos. Mais tarde, Adrien me confidenciou que tínhamos ido para observar os outros, mas que, quanto mais a noite avançava, mais ele tinha a impressão de me redescobrir. Também dançamos muito. Usávamos roupas que provavelmente nunca teríamos coragem de assumir numa boate tradicional. Ainda assim, paradoxalmente, eu me sentia menos exposta. Havia olhares, claro. Havia desejo. Mas não encontramos aquele flerte insistente nem aqueles comportamentos pesados que às vezes se vê em clubes tradicionais. Ninguém parecia considerar que uma roupa sensual, um sorriso ou uma dança fossem automaticamente um convite. Eu estava vestida de forma muito mais ousada do que num clube tradicional e, ainda assim, me sentia muito mais tranquila. Não tinha a impressão de precisar me proteger o tempo todo ou afastar alguém. Naquela noite, descobrimos um lugar em que mais coisas pareciam possíveis, mas onde nada parecia obrigatório. Tínhamos pago a entrada, mas não havíamos assumido nenhuma obrigação. Podíamos olhar, conversar, dançar e ir embora juntos. Essa ausência de pressão provavelmente tornou a noite ainda mais intensa. Como ninguém tentava nos empurrar para nada, podíamos continuar curiosos. Como sabíamos que poderíamos sair a qualquer momento, queríamos continuar explorando. De fora, alguém talvez dissesse que nada tinha acontecido. Não trocamos nada com outro casal. Não vivemos a história espetacular que muita gente imagina quando fala de um clube swing. No entanto, essa frase seria completamente falsa. Tínhamos atravessado uma porta que jamais imaginaríamos empurrar alguns meses antes. Tínhamos descoberto nossas reações, nossos limites, nossos desejos e uma nova maneira de nos olhar. Estávamos cercados de possibilidades, mas a pessoa de quem eu mais queria continuava sendo aquela que entrou ao meu lado. Três anos depois, essa primeira noite em Valência continua sendo essencial na nossa história. Ela me ensinou que uma noite swing bem-sucedida não se mede pelo que se fez com os outros. Entramos naquele clube para observá-los. Saímos de lá nos olhando de outra maneira. Vicky, no universo swing há três anos
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