A noite do julgamento e do prazer - Parte 1
A noite prometia ser sulfúrica, uma promessa sussurrada ao ouvido do destino. Eu estava no quarto, observando a minha submissa, que, dócil, aguardava as minhas instruções. — Prepara-te, vamos sair. Na cama, eu já tinha separado a roupa dela: uma coleira com trela, um plug anal, um sobretudo comprido. Nada mais. Os olhos dela ergueram-se para mim, surpresos, mas nenhuma palavra foi dita. Ela sabia. Aceitava. Ajoelhou-se à minha frente, oferecendo o plug entre as mãos trémulas, uma oferenda silenciosa. Eu peguei nele, deixando instalar-se um silêncio pesado. Depois, lentamente, ela curvou-se até a testa tocar o chão, as nádegas oferecidas num gesto de devoção perfeita. — Obrigada, Senhor. Um pouco de lubrificante, o suficiente para que a dor se confundisse com o prazer. Sem aviso, introduzi-o nela, ouvindo-a prender um suspiro. Deixei-a assim, imóvel na rendição, antes de a ajudar a levantar. — Veste-te. Vamos. Caminhávamos pelas ruas de Paris, ela nua sob o sobretudo, o plug ancorado entre as nádegas, submissa a cada passo. O seu conflito era visível na tensão dos movimentos. Um segredo ardente entre nós, exposto em cada olhar cruzado, sem que ninguém suspeitasse de quão completamente ela já estava entregue. Chegámos diante de uma casa imponente, um hôtel particulier com portões de ferro forjado. Um cenário mais íntimo, mais elitista do que os nossos programas habituais. Parei-a, prendendo o seu olhar. — Sê perfeita. Não me envergonhes. — Sim, Senhor. A voz dela era um sussurro, uma promessa. A porta abriu-se e uma mulher recebeu-nos. Envolta num vestido vermelho de decote vertiginoso, irradiava autoridade natural. Os olhos deslizaram sobre a minha submissa, demorando-se com um brilho de interesse evidente. — O entretenimento chegou. Ela sorriu e estendeu a mão para a minha submissa. — Deixa-me tirar-te o sobretudo. Vi as faces da minha submissa corarem, uma careta fugaz denunciou o seu desconforto. Mas ela obedeceu. O tecido escorregou dos ombros, revelando o corpo nu, a coleira a brilhar na garganta, o plug encaixado entre as nádegas. Um arrepio percorreu-a quando sentiu o olhar da mulher percorrer cada curva com satisfação descarada. Instintivamente, tentou cobrir os seios, mas um estalar dos meus dedos travou-a de imediato. Rapidamente retomou a postura que eu lhe tinha ensinado: costas direitas, mãos cruzadas atrás, olhar baixo. Estava bonita na sua humildade, oferecida e orgulhosa ao mesmo tempo. A dama de vermelho fez-nos sinal para a seguirmos. Peguei na trela da minha submissa e avançámos para um grande salão. À volta de uma mesa ricamente composta, seis homens e quatro mulheres observavam-nos com antecipação. Um sorriso surgiu nos lábios de um convidado. — Podemos começar. Sentei-me, deixando a minha submissa de pé ao meu lado. A cada respiração, o peito dela estremecia, o corpo vibrava entre medo e excitação. Ela era perfeita. — Vai apresentar-te a cada convidado. Pagaram caro por este espetáculo. Ela apertou ligeiramente os lábios, um sobressalto atravessou-lhe o corpo, mas obedeceu. Virou-se um quarto para o primeiro convidado, costas direitas, olhar baixo. — Chamo-me Sophie, cadela. Estou aqui para vos servir. O homem sorriu com aprovação. — Dá uma volta sobre ti para que te possa admirar. Sem hesitar, ela girou lentamente, cada movimento medido, oferecido ao olhar voraz do convidado. Quando lhe virou as costas, a mão dele caiu sobre as nádegas, apertando-as com firmeza. Ela imobilizou-se de imediato, à espera do seu querer. Ele pressionou a carne sob os dedos, avaliando a obediência dela e, sem aviso, deu-lhe uma bofetada sonora. Ela mal vacilou, mas um arrepio percorreu-lhe a pele. — Obrigada, Senhor, sussurrou logo. O homem observou a vermelhidão a nascer na nádega e acenou. — Vejo que foste bem educada. Vai apresentar-te aos outros. Ela obedeceu, avançando a passo medido para o segundo convidado, um homem mais novo com um sorriso trocista. Ele observou-a com uma gula mal disfarçada antes de lhe roçar os lábios com a ponta dos dedos. Depois, sem delicadeza, agarrou-lhe a mandíbula com firmeza, forçando a boca a abrir-se. O polegar deslizou sobre a língua, acariciou o interior da face, testando a maleabilidade daquela cavidade oferecida. — Uma boca que sabe servir, murmurou, antes de a afastar com desdém. Ela recuou um passo fluido antes de se voltar para a terceira convidada. Uma mulher esguia, de olhos penetrantes, que lhe ofereceu um sorriso lento, predador. Sem uma palavra, agarrou-lhe um punhado de cabelo e puxou com força, obrigando-a a inclinar a cabeça para trás e expondo a garganta vulnerável. As unhas, afiladas como garras, desenharam arabescos sobre a pele trémula. — Um pescoço perfeito para uma coleira mais apertada, murmurou antes de mordiscar o lóbulo da orelha, saboreando o ligeiro estremecimento que percorreu o corpo da submissa. Depois, os dedos desceram lentamente, serpenteando até aos seios nus. Num gesto preguiçoso, passou as unhas pela pele sensível, arranhando de leve, traçando sulcos invisíveis antes de beliscar sem piedade um mamilo endurecido. — Olha para isto, sussurrou, trocista, puxando a carne oferecida. — Tão receptiva… Gostas que brinquem contigo, não gostas? Soltou o mamilo e bateu-lhe logo com uma palmada seca, arrancando a Sophie um suspiro abafado. Um sorriso divertido alargou os lábios da convidada. — E aqui? continuou ela, afastando a mão dos seios para descer lentamente pelo ventre, acariciando com a ponta dos dedos a curva das ancas antes de se insinuar entre as coxas. — Oh… estás ensopada. Uma risadinha escapou-lhe quando pressionou a ponta dos dedos sobre a humidade evidente da intimidade. — Um verdadeiro pequeno espetáculo ambulante, concluiu, erguendo os dedos brilhantes do próprio prazer à altura dos seus lábios, roçando-os sem os lamber. — Que pena já estares ocupada. O quarto convidado, um homem de olhar fleumático, estendeu-lhe a mão, a palma virada para cima. — Oferece-me os pulsos. Ela obedeceu de imediato, colocando as mãos frágeis nas dele. Os dedos fortes rodearam-nas, apertaram-nas de leve, avaliando a firmeza da preensão antes de torcerem um pouco, obrigando os braços a tensionar-se. — Um brinquedo dócil, bem treinado, constatou, antes de a largar e ignorar a sua presença. Ela continuou, avançando para um quinto convidado, uma mulher cujo olhar lânguido parecia devorá-la por dentro. A mulher deslizou uma mão ao longo do flanco, parou na anca e desceu mais abaixo, acariciando lentamente o interior da coxa. O hálito quente roçou-lhe a orelha quando murmurou: — Estás a tremer… Uma sensibilidade requintada. Os últimos convidados não foram mais gentis. Alguns marcaram território ao arranhar-lhe a pele, outros beliscaram a carne macia dos seios, criando no corpo dela um mosaico de vermelhidões e marcas sobrepostas. Cada toque acrescentava uma nuance à tela da sua submissão, cada gesto selava ainda mais a entrega àquela assembleia. Por fim, chegou à última convidada, a dama de vermelho. Inspirou fundo e, com a mesma submissão que as outras: — Chamo-me Sophie, cadela. Estou aqui para vos servir. A mulher observou-a durante longos segundos, um sorriso carnívoro a brincar-lhe nos lábios. Estendeu lentamente uma perna, traçando um sulco invisível no chão com a ponta do salto. — Afasta um pouco as pernas. Quero sentir a humidade entre as tuas coxas. Obediente, Sophie acatou. A mão da anfitriã deslizou contra o sexo dela, exploradora, implacável. O fôlego prendeu-se quando sentiu dois dedos entrarem no calor, brincando com o prazer exposto. — Esta pequena cadela é promissora, declarou a dama de vermelho ao retirar os dedos, brilhantes da sua depravação. — Abre a boca. Com a boca entreaberta, Sophie recebeu-os, saboreando a sua própria submissão. — Bem. A anfitriã levantou-se, puxando suavemente a trela. — Agora que já te deliciaste com o teu prazer, podemos comer. Conduziu-a até ao centro da mesa, onde ficou em posição de espera, pronta para ser contemplada. A festa estava apenas a começar. A dama de vermelho sentou-se com lentidão calculada, saboreando a tensão na sala. A minha submissa mantinha-se à vista de todos, imóvel numa postura de espera perfeita. O instante ficou suspenso. Os pratos chegaram, trazidos por três jovens completamente nus. Cada um usava uma coleira de couro, ornada com um anel de fixação, marcando sem ambiguidades a sua pertença. Os genitais, presos em gaiolas metálicas, testemunhavam uma submissão absoluta. O seu andar era medido, disciplinado. O silêncio que impunham à própria existência era quase hipnotizante. A minha submissa, ainda imóvel na postura de oferenda, observava-os através das pestanas baixas. Captei a forma como a respiração dela mudava ligeiramente à passagem deles, a curiosidade que tentava romper sob a sua submissão impecável. O meu olhar roçou o dela, um aviso silencioso. Ela percebeu de imediato e engoliu qualquer distração. Um dos escravos, porém, vacilou. O olhar ergueu-se, por um instante demasiado longo, para ela. Uma hesitação mínima, mas suficiente. A voz da dama de vermelho cortou o ar. — Vem aqui, escravo número 1. O jovem sobressaltou-se e caiu de joelhos num reflexo de terror. A cabeça baixou-se de imediato, as mãos trémulas pousadas nas coxas. Percebi a tensão nos ombros, o medo visceral de ter quebrado a ordem estabelecida. A dama de vermelho estendeu um pé envernizado. Ele compreendeu logo a ordem implícita e pressionou os lábios contra a pele, multiplicando os beijos num ritual servil. Ela observou-o com um olhar divertido, saboreando a forma como ele se dissolvia na sua submissão. — Gostas do nosso entretenimento? A voz era doce, quase acariciante. No centro da mesa, a minha submissa só podia ouvir, privada do menor contacto, oferecida aos olhares da assembleia. Senti a ligeira tensão a enrijecer-lhe as costas, a luta invisível que a movia enquanto se forçava a não reagir. O seu desconforto estava vivo, exposto, e eu saboreava essa tensão muda que a envolvia. Mesmo sem as minhas mãos sobre ela, eu possuía-a por completo. — Sim, Senhora. Ela é muito bonita. Um sorriso roçou os lábios da dama de vermelho. — Ela desperta desejo? Gostarias que ela te fizesse gozar? Senti a imobilidade da minha submissa, o corpo a lutar contra o instinto de reagir. O escravo hesitou, com a respiração curta. A gaiola metálica denunciou um estremecimento quase imperceptível. — Sim… se me permitirdes, Senhora. Uma gargalhada ergueu-se em volta da mesa. Os convidados saborearam a audácia desesperada do jovem. A dama de vermelho avaliou-o, os dedos tamborilando distraidamente na toalha, antes de exibir um sorriso cruel. — Que audácia… Gostavas de profanar a nossa preciosa oferenda? Quem te autorizou a pousar os olhos nela? Deixou pairar um silêncio pesado antes de lançar, como uma sentença implacável: — Vai buscar o paddle. E depressa. O escravo levantou-se num salto e correu para um móvel onde estavam dispostos vários instrumentos de correção. Quando voltou, estendeu o paddle de couro, as mãos a tremerem com o medo extático que já o consumia. A dama de vermelho voltou então a atenção para a minha submissa. — Vem buscá-lo, minha linda. Um estremecimento percorreu o corpo nu exposto. O olhar subiu timidamente para mim antes de obedecer, saindo da postura de espera para avançar até à mesa. Quando pegou no paddle, captei a hesitação na respiração, a sombra de um arrepio a agitar-lhe a espinha. — És tu que o vais punir, ordenou a dama de vermelho, com um tom sedoso que escondia uma autoridade implacável. A minha submissa ficou imóvel. A pega no paddle apertou-se quase imperceptivelmente, mas ainda hesitava. — Não tenhas medo, continuou a anfitriã. Vou mostrar-te. Colocou-se atrás dela, deslizando as mãos pelos ombros, a boca a roçar-lhe a orelha. — Levanta o braço… assim… agora, bate. A minha submissa obedeceu, com o instante suspenso numa tensão ardente. O paddle abateu-se sobre a carne nua do escravo com um estalo seco. Ele estremeceu e um murmúrio de surpresa percorreu a sala. — Outra vez. Mais forte. O segundo golpe soou mais seguro. Vi a respiração dela modificar-se, os lábios entreabrirem-se apenas enquanto o controlo lhe fugia aos poucos. O olhar perdeu-se por um instante na sombra de um desconforto que bem conheço, antes de deslizar para mim. Um segundo suspenso em que ela procurou, quase por instinto, a minha aprovação. Assenti imperceptivelmente, orgulhoso da sua aplicação. Mas a dama de vermelho já estalava a língua, um lembrete seco para manter a concentração. — Não percas a concentração, minha querida. Continua. A dama de vermelho roçou-lhe o pulso, a mão fria contra a pele ardente da minha submissa. Guiou o gesto com paciência calculada, impondo um ritmo impiedoso. O paddle subia e descia, traçando na carne do escravo marcas escarlates que se imprimiam em linhas vibrantes de dor. Cada golpe ressoava, um eco brutal na sala suspensa pelo espetáculo. A minha submissa tremia, não de medo, mas de um desconforto mais insidioso. Cada impacto arrancava-lhe um fôlego mais curto, cada gemido abafado do escravo alimentava o fogo que ela ainda não controlava. Lutava, oscilando entre a ordem dada e o que isso lhe provocava. A postura estava tensa, os músculos vibravam no esforço de manter a obediência. Mas eu via-a, sentia a sombra de um arrepio a percorrer-lhe a nuca, esse vertigem subtil que a fazia oscilar na fronteira do controlo. — Mais devagar, murmurou a dama de vermelho junto à orelha da minha submissa. Sente a vibração de cada golpe, saboreia o estremecimento sob a tua mão. A minha submissa obedeceu, abrandando o movimento. Cada pancada tornou-se mais calculada, mais intensa. A pele do escravo tingiu-se de vermelho escuro, cada impacto esculpindo a sua submissão em carne viva. Eu bebi a cena, fascinado por essa transformação subtil, pela mudança que se operava nela. O olhar vacilou outra vez na minha direção, procurando um ponto de apoio. Ofereci-lhe um sorriso lento, carregado de orgulho e de uma exigência muda: vai até ao fim. Inspirou fundo, reforçou a pega e baixou o paddle com um estalo mais limpo, mais preciso. Um estremecimento visível percorreu-lhe a pele enquanto fazia do gesto algo seu, fundindo-se no papel que lhe era imposto… e que, lentamente, se apoderava dela. Quando, finalmente, a dama de vermelho pousou uma mão sobre a sua para a deter, a tensão esticou-se ainda por mais um instante, como uma corda vibrante sob a passagem de um arco. — Olha só para isto, sussurrou um convidado, admirado. Magnífico. A dama de vermelho interrompeu o momento com um estalo seco dos dedos. — Volta para o teu lugar, querida. Ainda não é a tua vez. A minha submissa sobressaltou-se ligeiramente e obedeceu sem uma palavra. Com lentidão calculada, pousou o paddle na bandeja de prata que a dama de vermelho lhe estendia. As mãos mal tremiam, um arrepio discreto denunciava a intensidade do que acabara de viver. Depois endireitou-se, recuou com graça e regressou ao centro da mesa. Ajoelhou-se na posição Nadu, com os joelhos abertos, as costas direitas e as mãos pousadas com perfeição estudada nas coxas. O peito nu subia ao ritmo da respiração ainda irregular, mas o olhar permanecia baixo, oferecida em todo o esplendor da sua submissão. Os convivas observavam-na com interesse renovado, apreciando cada mínima tensão do corpo, o brilho de turbamento que ainda dançava sobre a pele trémula. — Quanto a ti, escravo, fica aí, de costas para a assembleia. Eles têm de ver quanto custa a indisciplina. O jovem permaneceu imóvel, com os ombros a tremer sob a humilhação imposta. A pele avermelhada trazia a marca ardente da correção, exposta como um aviso vivo. A dama de vermelho roçou com a ponta dos dedos a taça de cristal à sua frente, saboreando a eletricidade no ar. — Agora, meus caros amigos, comamos. Temos tanto para saborear… O murmúrio das conversas retomou, pontuado por risos discretos.
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